Veja o Berço da Palavra, coluna de Márcio Cotrim sobre a Tabela Price

Boa parte das operações de compra e venda é regida por uma tabela de juros denominada Tabela Price. Quase todo mundo já ouviu falar, faz ou fez pagamentos e financiamentos com base nela. Mas qual o berço dessa expressão?

Para início de conversa, ela só leva esse nome no Brasil, onde também é conhecida como Sistema Price de Amortização, baseado num cálculo de juros compostos em que as parcelas têm sempre o mesmo valor e a amortização é crescente.

O nome Price é de Richard Price, teólogo, filósofo e matemático inglês que depois se tornou ministro presbiteriano e escreveu várias obras que apresentam tabelas de fatores para os juros compostos.

Numa delas, esta curiosidade: um centavo de libra na data de nascimento de Jesus Cristo, a juros compostos de 5 % ao ano, valeria em 1781 – ano em que Price completou 60 anos – a assombrosa soma, em reais atualizados, de 547 undecilhões de reais! Já se fossem aplicados juros simples, no mesmo período, a quantia seria a ridícula importância de 90 centavos de real, veja você.

Essa informação foi prestada pelo dr. Gilberto Melo, perito especialista em cálculos judiciais e extrajudiciais, criador de uma “Tabela Gilberto Melo”, reconhecida em agosto de 1997 no XI Enconge – Encontro Nacional dos Corregedores Gerais de Justiça.

Fica a lição e o alerta para quem faz dívida…

VIRACOPOS

Qual a origem do nome do aeroporto de Viracopos, em Campinas, tão em evidência atualmente?

Ele foi fundado na década de 30 e homologado oficialmente em 1960, ocasião em que também ascendeu à categoria de aeroporto internacional .

Segundo Luiz Antônio Sacconi, Viracopos tem esse nome porque surgiu num bairro de Campinas onde antigamente se localizava a zona de meretrício, lugar de baderna e bebedeira, mesas toda noite jogadas ao ar e copos virados nos freqüentes conflitos que ali ocorriam.

Eis aí a origem do nome, objeto da piadinha recente: é o aeroporto predileto dos bebuns…

NEGO

Essa palavra consta na rubro-negra bandeira da Paraíba. Primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo negar, ainda era utilizada com acento agudo na letra “e” quando foi adotada no pavilhão do estado, em 1930, baseada num fato histórico.

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque governava a Paraíba desde 1928. Em 1929, iniciou-se o processo de eleição para o novo Presidente da República. Até então prevalecia a chamada aliança café-com-leite, pela qual São Paulo e Minas se revezavam no exercício da presidência, e Washington Luís indicou como seu candidato o paulista Júlio Prestes.

João Pessoa, inconformado, negou aprovação da Paraíba ao candidato e passou um telegrama ao Palácio do Catete, sede do governo federal, formalizando a recusa, daí o famoso NEGO. Foi um gesto de altivez registrado como marco histórico. João Pessoa foi assassinado logo depois, em 26 de julho de 1930, ainda no exercício do governo local.

A bandeira paraibana passou a ter as cores vermelha e preta – o vermelho representando o sangue derramado por João Pessoa e o preto como o luto que se apossou da Paraíba com sua morte. Muita gente, que não conhece a história, chega a pensar que a palavra é relativa a algum personagem negro. Ledo engano. Na verdade, a bandeira paraibana homenageia um dos seus filhos mais ilustres e corajosos.

Fonte: A coluna do jornalista Márcio Cotrim que é publicada nos jornais Estado de Minas, Correio Brasiliense e outros contou com a colaboração de Gilberto Melo para a expressão “Tabela Price”. 

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